quinta-feira, novembro 17, 2005

OE 2006

António Borges: OE para 2006 tem «aspectos positivos»

O economista social-democrata António Borges considerou quarta-feira à noite que o Orçamento de Estado (OE) para 2006 do Governo PS tem «aspectos positivos», mas «não modifica a política económica fundamental», recusando comentar a sua rejeição pelo PSD.

«Se votaria a favor ou contra, não entro nessa polémica que é interna do PSD, por razões óbvias», afirmou Borges, que no último Congresso dos sociais-democratas apresentou uma moção de estratégia (a segunda mais votada, a seguir à de Marques Mendes).
António Borges, que foi um dos oradores de uma conferência sobre «A Direita e a Economia», organizada pelas «Noites à Direita. Projecto liberal», recusou desta forma juntar-se à voz da ex-ministra das Finanças do PSD Manuela Ferreira Leite, que afirmou segunda-feira que, se estivesse no Parlamento, ter-se-ia abstido na votação da proposta orçamental do executivo.
Pelo lado positivo, Borges destacou no OE a aposta na redução do défice e da despesa pública, mas disse duvidar do cumprimento da proposta.
«A grande crítica que faço a este Orçamento é que vai ser muito difícil de cumprir porque é excessivamente optimista e não contém medidas concretas que permitam executá-lo», afirmou o ex-governador do Banco de Portugal, respondendo a uma pergunta da assistência.
Borges lamentou, contudo, que o Governo PS mantenha o que considera ser «o erro gravíssimo» da política económica portuguesa: «favorece o sector que está protegido da concorrência e não ajuda o sector que é competitivo com o estrangeiro».
«Para se apostar na inovação e na mudança tem de se desistir de apoiar o que existe hoje (...) Isto implica necessariamente que há alguém que fica para trás», defendeu Borges, considerando que esta é «uma das principais clivagens entre direita e esquerda» em matéria económica.
O economista respondeu ainda a um repto da plateia sobre os poderes do Presidente da República, afirmando que o chefe de Estado deve ser sobretudo «um educador».
«Deve saber passar as mensagens que interessam, deve fazer subir o nível de exigência, mas não deve intervir, não deve governar», defendeu.